Após revelar que tem hipermobilidade articular nas mãos, a cantora e ex-BBB Juliette Freire trouxe visibilidade a uma condição que, embora relativamente comum, ainda é pouco compreendida pelo público. A hipermobilidade ocorre quando as articulações apresentam uma amplitude de movimento maior do que o considerado habitual, resultado de características estruturais do tecido conjuntivo.
Segundo o ortopedista especialista em cirurgia de mão da Clínica CICV, Fernando de Azevedo Filho, em muitos casos a hipermobilidade não representa um problema de saúde e pode até passar despercebida. No entanto, para algumas pessoas, essa flexibilidade aumentada pode estar associada a sintomas como dores articulares, sensação de instabilidade, fadiga muscular e maior predisposição a entorses e outras lesões.
“Fatores genéticos costumam estar relacionados à condição. Alterações na estrutura do colágeno, proteína responsável por dar sustentação a ligamentos, tendões e articulações, podem tornar essas estruturas mais flexíveis, permitindo movimentos além do limite considerado padrão”, explica Fernando.
Apesar disso, nem toda hipermobilidade exige tratamento. O acompanhamento médico passa a ser indicado principalmente quando a condição provoca dor frequente, limita atividades do dia a dia ou está associada a episódios repetidos de lesões articulares. Nesses casos, a avaliação clínica ajuda a identificar o grau da hipermobilidade e orientar as melhores estratégias de cuidado.
“Entre as principais recomendações estão o fortalecimento muscular, a prática orientada de atividades físicas e a atenção à postura e à execução dos movimentos durante exercícios e tarefas cotidianas. Essas medidas ajudam a proteger as articulações e reduzir o risco de sobrecarga”, recomenda o médico.