Dezesseis editoras de pequeno porte, de diferentes regiões do Brasil, se uniram, em uma iniciativa inédita no país, para mostrar o valor da cena editorial independente. Depois da estreia na Bienal do Livro do Rio, em 2025, agora o coletivo Compiladas chega à Bienal do Livro da Bahia, que acontece entre 15 e 21 de abril, em Salvador.
O coletivo Compiladas se destaca por integrar editoras com catálogos de excelência gráfica e editorial, pela relevância literária e pela influência cultural. São elas: Arquipélago Editorial, Dublinense (Rio Grande do Sul); Bazar do Tempo, Editora Cobogó, Ímã Editorial, Mórula, Editora Oficina Raquel, Seiva, Tabla (Rio de Janeiro); Editora Ercolano, Editora Fósforo, Lote 42, Nós, Ubu (São Paulo); Relicário (Minas Gerais); e Solisluna (Bahia).
Pelo estande da Compiladas passarão autores e autoras nacionalmente conhecidos, como Leda Maria Martins, Diane Lima, Bianca Santana, Jorge Augusto e Luciany Aparecida. Pelo estande da Compiladas passarão autores e autoras nacionalmente conhecidos, como Leda Maria Martins, Diane Lima, Bianca Santana, Jorge Augusto e Luciany Aparecida.
Todas as editoras são 100% brasileiras e independentes, isto é, não integram nenhum grupo editorial ou econômico. Quase todas as Compiladas foram fundadas no século 21 – a exceção é a baiana Solisluna, com mais de 30 anos de existência. A Solisluna, aliás, é a única representante do Norte/Nordeste na Compiladas.
Embora torcesse por mais editoras do eixo no coletivo, Valéria Pergentino, sócia-editora da Solisluna, comemora a participação. “A iniciativa é extremamente relevante por reunir editoras independentes de várias regiões do Brasil, com perfis diferentes, mas conectadas pela qualidade de seus catálogos. Em um mercado tão concentrado, essa articulação mostra a força do trabalho coletivo. Para nós, da Solisluna, única editora do Norte e Nordeste no grupo, é especialmente significativo realizar esta edição do Compiladas na Bahia”, destaca ela.
Comemorando 10 anos de existência, a Ubu estará na Bienal da Bahia pela primeira vez. “O público baiano da Ubu é muito presente e participativo, e esta é uma oportunidade da editora estar mais perto e mostrar as linhas e interconexões do catálogo. O coletivo Compiladas é o que permite que editoras de pequeno porte como a nossa possam estar em eventos fora de São Paulo”, ressalta Florencia Ferrari, diretora editorial da Ubu.
Expectativas
Pelo alto investimento e planejamento, a presença em Bienais é desafiadora. Esse segundo momento é muito precioso para as 16 editoras. “Após a nossa primeira experiência com as Compiladas no Rio de Janeiro, fico muito satisfeita de que a rota tenha sido direcionada para fora do caminho previsível do sudeste, e espero que esta seja a primeira de muitas incursões pela Bahia e pelo Nordeste”, destaca Maíra Nassif, editora da Relicário
Editor da Lote 42, João Varella avalia que estar na Bienal do Livro da Bahia, por meio do projeto Compiladas, é uma oportunidade de ouvir o que o leitor baiano tem a dizer: “O livro independente ganha força quando se movimenta. Trazer nossas publicações do bairro de Santa Cecília, em São Paulo, para Salvador é um intercâmbio cultural necessário para oxigenar a vivência editorial brasileira”.
Para a Mórula, chegar à Bienal da Bahia fazendo parte do coletivo Compiladas, junto com outras editoras tão importantes na circulação do conhecimento e da literatura, tem um significado muito especial. “É a oportunidade de encontrar leitores, dialogar com a produção local e celebrar de perto a força cultural dessa terra tão viva, que move o Brasil. Estamos muito animados!”, celebra Marilia Pereira, editora da Mórula.
“Participar da Bienal da Bahia ao lado do coletivo Compiladas é a materialização do nosso desejo de promover a circulação de ideias e de trocar com nossos leitores. Um espaço plural como esse fortalece o livro independente e nos permite ampliar o alcance do nosso catálogo”, analisa Roberto Borges, da Editora Ercolano.
A Oficina Raquel também confirma sua participação na Bienal da Bahia com grande entusiasmo: “Levaremos para o evento um recorte do nosso catálogo que dialoga com temas caros à casa, como memória, território e pensamento contemporâneo. Participar da Bienal é, para nós, uma alegria e uma oportunidade de fortalecer encontros em torno da literatura”, afirma Raquel Menezes, publisher da editora.