Por Marcelo Isaac
Baseada na coleção de livros “Game Changers”, da autora canadense Rachel Reid,
a série de grande sucesso internacional que adapta a história do segundo livro
(Heated Rivalry) finalmente chega ao Brasil pela HBO Max com o nome de
Rivalidade Ardente.
Nessa história vamos acompanhar o início das carreiras esportivas do jogador Shane Hollander (Hudson Williams) capitão do time de hóquei Montreal Voyageurs e do russo Ilya Rosanov (Connor Storrie), adversário dele que joga pelo Boston Raiders. Como o nome da série já entrega, a rivalidade desses dois jogadores fica apenas no gelo do hóquei porque fora dele, ambos vivem um intenso romance em segredo.
A série é dirigida por Jacob Tierney e conta com seis episódios que vão explorando lentamente as nuances desse relacionamento ao longo de quase uma década. Os atores entregam uma belíssima química desde a primeira cena romântica dos personagens, e conforme os anos vão passando percebemos todo o desenvolvimento de afeto e cuidado que eles têm um com o outro – claro, com
muitas idas e vindas.
O principal ponto que vai diferenciar essa produção de outras narrativas LGBTQIAPN+ é como a história do casal foi construída de forma intimista e sem violência. Felizmente, aqui podemos dizer que há um certo final feliz. Além do romance de Shane e Ilya, acompanhamos paralelamente a história do outro jogador de hóquei Scott Hunter (François Arnaud) e do barista Kip Grady (Robbie G.K) que são o casal do primeiro livro (ainda não chegou ao Brasil). Com um episódio focado neles, ambos protagonizam o momento mais emocionante da série, sem dúvida nenhuma.
Scott ama verdadeiramente o Kip, mas assim como os protagonistas ele tem medo de se assumir publicamente e perder qualquer oportunidade de jogar
profissionalmente, aliado ao fator que ele já é considerado “velho demais” para
continuar no hóquei. Após ganhar sua primeira taça, em um momento catártico, ele chama Kip para juntar-se à comemoração do time e recebe-o com um beijo. Depois disso, apesar do grande impacto dessa cena, a série mostra vagamente as
implicações dessa atitude para eles dois.
Inspirados pela coragem e ousadia do outro casal, Ilya e Shane percebem que eles
não podem mais ignorar seus sentimentos por mais tempo e resolvem passar um
momento juntos, sem preocupações com a mídia e os times. Ambos vão para a
casa do lago da família do Shane e vivem momentos simples de uma vida a dois,
um pequeno vislumbre do que eles podem ter no futuro distante. Nesse momento da narrativa, a passagem dos anos transmite também o amadurecimento dos
personagens em lidar com situações rotineiras ou até mesmo delicadas, sendo uma delas a revelação do namoro para os pais do Shane.
Essa série tem uma profundidade dramática e intensa para cada personagem na
medida certa. É interessante ver o Shane explorando sua sexualidade e
compreendendo quem de fato ele é. Muito disso se deve por ele não compreender,
em um primeiro momento, a bissexualidade de Ilya. Por outro lado, a questão de ser um imigrante russo em um país muito xenofóbico, é uma das várias camadas do personagem do Ilya que constrói nosso entendimento do porque ele é o típico bad boy que não expõe seus sentimentos.
Não podemos negar que Rivalidade Ardente é um fenômeno global e apresenta um novo jeito de falar sobre histórias LGBTQIAPN+. Com uma segunda temporada
confirmada, essa série vai fazer você se apaixonar não só pelo hóquei, mas
também por esses dois casais que mostram o quanto o audiovisual pode ajudar a retratar histórias queers em espaços (como o esporte) que ainda são permeados de preconceitos. Se você maratonou a série, aproveite para ler o livro de mesmo nome que já chegou ao Brasil pela editora Alt.
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