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Crítica – O Morro dos Ventos Uivantes

Cinema

Crítica – O Morro dos Ventos Uivantes

Foto | Diulgação

Após ver o trailer e saber que esta crítica teria um embargo, ou seja, só poderia ser publicada quase uma semana depois de assistir ao filme, fiquei bem receoso para assistir essa nova versão de O Morro dos Ventos Uivantes, que chega aos cinemas na quinta-feira, 12. O trailer prometia uma pegada mais 50 Tons de Cinza. Mas, ainda bem, o vídeo publicitário vendeu mal o longa, e essa nova adaptação da clássica obra da britânica Emily Brontë, publicada em 1847, surpreende.

Primeiro, é bom fazer uma ressalva aos fãs do livro. Essa nova adaptação, mais uma desde 1920, traz diversos elementos diferentes para a trama. Alguns, questionáveis, como a ausência do irmão de Cathy e a transformação de Nelly, a governanta que narra o livro, em uma espécie de traidora invejosa (sem contar as “polêmicas” dos atores não se parecerem com os personagens descritos no livro). Outros, servem melhor para adaptar para as 2h15 de filme, como a falta de toda a segunda parte da obra. Entretanto, mesmo com essas mudanças, O Morro dos Ventos Uivantes se sai muito bem.

A história é clássica e famosa: a pequena Cathy (interpretada brilhantemente pela pequena Charlotte Mellington), vive no Morro dos Ventos Uivantes com seu pai, o senhor Eanshaw (Martin Clunes, também excelente). Certo dia, ele traz uma criança para morar com eles. Cathy então o batiza de Heathcliff (interpretado pelo também ótimo Owen Cooper), sempre enfatizando: ele é meu. O tempo passa e, já mais jovens, Cathy (agora interpretada por Margot Robbie) e Heathcliff (Jacob Elordi) começam a ter uma relação de paixão, que termina porque ela resolve se casar com o novo vizinho. Anos se passam e Heathcliff volta, agora rico, para se vingar de Cathy.

Dirigido e escrito por Emerald Fennell, dos ótimos Saltburn (2023) e Bela Vingança (2020), o Morro dos Ventos Uivantes, apesar da liberdade de criação, mantém a essência do livro, que é mostrar até onde o amor – e a obsessão – podem chegar. E se sai muito bem nisso, principalmente com o elenco afiado ainda composto por Alison Oliver (Isabella) e Hong Chau (Nelly). Como roteirista, Fennell conseguiu passar toda a complexidade dos personagens Cathy e Heathcliff, mesmo em pouco mais de duas horas, o que é um grande desafio.

Ainda brilham o design de produção, a direção de arte e a fotografia. A paleta de cores fortes, como vermelho e rosa, em contraste com tons mais soturnos, principalmente o verde e o azul, e belas locações, deixam o filme cheio de vida e nuances, agradando também no visual.

O Morro dos Ventos Uivantes é uma ótima surpresa ao trazer uma nova versão à clássica história. Mesmo de forma mais resumida em relação ao livro, consegue transpor para a tela a trágica história de amor de Cathy e Heathcliff.

O Morro dos Ventos Uivantes
8 /10
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