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Sono, rotina e fertilidade: por que a ciência passou a olhar o casal como uma unidade biológica

Saúde

Sono, rotina e fertilidade: por que a ciência passou a olhar o casal como uma unidade biológica

Foto | Divulgação

Durante muitos anos, a fertilidade foi analisada de forma fragmentada, com foco em fatores individuais. Hoje, a ciência reprodutiva reconhece que a fertilidade é um fenômeno inerentemente diádico, que envolve não apenas a biologia individual, mas também a coordenação fisiológica, comportamental e emocional do casal.

Segundo a médica especialista em reprodução humana Dra. Wendy Delmondes, o corpo humano é influenciado por um ritmo biológico circadiano, próximo de 24 horas, que regula funções hormonais, metabólicas e reprodutivas. Quando esse ritmo é respeitado, esses sistemas tendem a funcionar de forma mais eficiente.

“O alinhamento entre o tempo biológico e os hábitos de vida — como sono, alimentação e rotina — exerce influência direta sobre os eixos hormonais envolvidos na reprodução”, explica.

O sono tem papel central nesse processo. A melatonina, secretada predominantemente à noite, atua como moduladora hormonal e antioxidante, contribuindo para a maturação dos óvulos e a proteção dos gametas contra o estresse oxidativo. Já o cortisol, com pico nas primeiras horas da manhã, influencia a liberação de gonadotrofinas e a esteroidogênese, sendo igualmente dependente de ciclos bem organizados.

A interrupção ou irregularidade do sono pode desregular a homeostase metabólica, aumentar o estresse nas vias reprodutivas e comprometer o potencial fértil. Estudos epidemiológicos associam a perturbação do ciclo circadiano a desfechos reprodutivos adversos, incluindo redução dos níveis de testosterona e piora da qualidade do sêmen.

Esse entendimento amplia o cuidado para além do indivíduo. O desalinhamento de horários de sono, vigília, alimentação ou trabalho dentro do casal pode interferir tanto na atividade sexual quanto nos sinais hormonais que regulam a ovulação e a espermatogênese.

Por outro lado, a sincronia comportamental — com rotinas compartilhadas, proximidade emocional e apoio mútuo — favorece um ambiente biológico e psicológico mais propício à concepção.

“Alinhar o tempo biológico e comportamental do casal pode influenciar diretamente o potencial reprodutivo. Fertilidade não se resume a técnicas, mas a um sistema integrado que envolve corpo, rotina e relação”, conclui a Dra. Wendy.

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