Por muitos anos, o conceito de casas “instagramáveis” dominou o mercado de interiores. Ambientes pensados prioritariamente para fotografias, com cenários montados, estética padronizada e pouco vínculo com a rotina real dos moradores, tornaram-se tendência nas redes sociais. No entanto, esse movimento começa a perder força diante de uma nova demanda: projetos com alma, identidade e conforto verdadeiro.
Para a designer de interiores Deny Amparo, esse reposicionamento reflete uma mudança no comportamento das pessoas e na forma como elas se relacionam com seus espaços. “As casas deixaram de ser vitrines para se tornarem refúgios. Hoje, os clientes buscam ambientes que façam sentido para suas histórias, hábitos e emoções, não apenas para gerar curtidas”, afirma.
Segundo a profissional, o excesso de projetos pensados exclusivamente para as redes sociais acabou criando espaços pouco funcionais e, muitas vezes, desconectados da realidade de quem vive ali. Ambientes impecáveis nas fotos, mas desconfortáveis no dia a dia, com pouca durabilidade e ausência de personalidade.
“A casa precisa acolher, permitir imperfeições e acompanhar a vida real. Quando o projeto nasce apenas para a estética digital, ele perde profundidade. Já um interior bem pensado carrega memórias, escolhas conscientes e conforto emocional”, destaca Deny Amparo.
A valorização de materiais naturais, móveis afetivos, iluminação acolhedora e soluções personalizadas tem ganhado protagonismo nesse novo cenário. Mais do que seguir tendências, os projetos passam a refletir o estilo de vida, a rotina e a essência dos moradores.
Para a designer, o futuro do design de interiores está no equilíbrio entre estética e verdade. “Não se trata de abandonar a beleza, mas de ressignificá-la. Uma casa bonita é aquela que funciona, que acolhe e que representa quem mora ali. Isso, sim, é um projeto com alma”, conclui.