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Cinema

Crítica – Um Completo Desconhecido

Foto | Divulgação

A gente sabe quando uma cinebiografia musical nos conquista quando saímos do cinema cantando as músicas, querendo saber mais sobre o cantor ou cantora homenageado, mesmo que vc não conheça quase nada da carreira. Esse era me caso com Bob Dylan. Conhecia apenas duas músicas (as excelentes Blowin in the Wind e Like a Rolling Stone) e a fama de que, em shows, ele fazia arranjos de suas músicas completamente diferentes, quase irreconhecíveis das versões originais.

E Um Completo Desconhecido, que estreia hoje nos cinemas, não me mostrou muito mais do que eu já sabia sobre Bob Dylan. Mas isso é negativo? De forma alguma, afinal, pelo título, já imaginava isso.

A trama acompanha os primeiro 5 anos de carreira do jovem Bob Dylan (Timothée Chalamet), que vai para Nova York com seu violão para conhecer um grande ídolo e acaba conhecendo Pete Seeger (Edward Norton), que vai ajudá-lo a trilhar seu caminho pela música folk. Além, é claro, de suas relações tempestuosas com a cantora folk Joan Baez (Monica Barbaro) e Silvie Russo (Elle Fanning).

James Mangold, que já havia dirigido e escrito a ótima biografia de Johny Cash Johny e June – além do excelente Logan – mostrou que continua com uma direção afiada e um roteiro que consegue desvendar um pouco do cantor norte-americano.

O grande destaque do filme, sem dúvida, é seu elenco. Chalamet, com seu ar blasé de nascença, nasceu para ser Bob Dylan. Edward Norton talvez tenha feito a sua melhor atuação dos últimos 20 anos. E Monica Barbaro e Elle Fanning estão maravilhosas como os interesses amorosos de Dylan.

A questão é que a narrativa do filme não é interessante, com cenas rápidas que parecem terem sido cortadas para encurtar, quebrando uma sequência, parecendo diversas esquetes, com números musicais. Vemos que Dylan era um ativista, mas apenas em imagens de matérias de TV da época, que passam rapidamente enquanto os personagens conversam. A trama focou muito em seus relacionamentos, deixando para o terceiro ato a revolução que Dylan fez no folk, ao introduzir guitarras elétricas.

O filme tem a seu favor que há muitas canções, já que a trilha sonora do longa são as músicas cantadas pelos personagens – e são letras poderosas, que, a mim, pelo menos, encantou – mas, reconheço, não é todo mundo que vai gostar.

E, assim como O Brutalista, carece de um clímax. Um Completo Desconhecido, apesar de sua longa metragem de 2h20, parece um episódio de série na questão de conteúdo. Mas, sem dúvida, é uma ótima experiência cinematográfica em virtude do seu biografado, da direção de Mangold e dos atores que engradecem o filme.

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