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Crítica – Lobisomem

Cinema

Crítica – Lobisomem

Foto | Divulgação

Lobisomem é um monstro universal. Tanto nos Estados Unidos, quanto na Europa ou no interior do Brasil, todos têm algum relato de um homem que vira lobo e ataca vítimas indefesas em noite de lua cheia – ideia surgida na Grécia Antiga. A produtora especializada em terror Blumhouse – que começou muito bem, mas se perdeu pelo caminho com mais filmes abaixo da média do que bons – resolveu resgatar o monstro dos anos 40, sucesso da Universal Pictures, para este remake/reimaginação de Lobisomem, que estreia nos cinemas nesta quinta-feira, 16.

Após o pai ter sido dado como morto, Blake Lovell (Christopher Abbott) vai com a esposa Charlotte (Julia Garner) e a filha Ginger (Matilda Firth) até Oregon, interior do interior do interior dos Estados Unidos visitar a fazenda onde cresceu para pegar as coisas do velho Lovell. Perdidos, dão carona para um antigo amigo e são encontrados pelo Lobisomem, que faz a vida da família um verdadeiro inferno – e paro por aqui para não dar spoiler, apesar do próprio trailer ter dado o principal (espero que você que esteja me lendo não tenha visto).

Dirigido por Leigh Whannell (do ótimo O Homem Invisível), a trama basicamente fala sobre o medo de virarmos vilões para nossa família. Basta ver que a forma como Lovell trata o filho Blake, no início do filme, é a mesma que Blake trata a filha quando perde a paciência, apesar de ter mais ternura e lutar contra isso, pois se lembra como sofria. E essa relação é a que mais tenta ser fortalecida no filme: pai e filha, já que o casamento não está indo muito bem.

Apesar de causar uma sensação claustrofóbica, já que a família basicamente fica presa o tempo todo na casa da fazenda, enquanto o monstro o observa à espreita, a trama se perde por, basicamente, virar um filme de zumbis. O Lobisomem aqui não se transforma e retorna à sua humanidade, sem saber bem o que fez enquanto era lobo. O monstro é monstro, com força sobre-humana, e acabou. Então o longa é uma perseguição desenfreada entre o Lobisomem – que é pouco revelado, o que é um ponto bem positivo – e a família, lembrando algumas vezes Eu sou a Lenda, com uma revelação ao final que era também bem óbvia.

Nem vou analisar a burrice dos personagens porque, afinal, filme de terror sem as burrices não existiriam. Mas é complicado aceitar algumas passagens do filme como o isolamento completo deles, a existência de um lobisomem em uma área por 30 anos – já que o filme começa em 95 – e NINGUÉM foi caçá-lo.

Apesar disso, Lobisomem consegue prender a atenção e assustar e é um ótimo passatempo, daqueles que, poucas horas após a sessão, iremos esquecê-lo. Ainda não foi desta vez que a Blumhouse voltou à sua ótima forma. Aposto que um filme brasileiro sobre o monstro, rodado no interior, seria mais interessante.

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