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Crítica – Sr & Sra Smith

Série da Prime Video acerta na dupla de protagonistas e no desenvolvimento de sua relação

Não sou lá grande fã do Sr. & Sra. Smith (2005) estrelado por Brad Pitt e Angelina Jolie, então o anúncio de uma série baseada no filme não fez muito para me empolgar. Mesmo a informação de que Donald Glover, responsável pela excelente Atlanta, estaria à frente da série como astro e produtor me fez mudar muito de ideia. Tendo visto a série Sr. & Sra. Smith, porém, posso dizer que é um esforço melhor sucedido que o longa de 2005.

A trama acompanha John (Donald Glover) e Jane (Maya Erskine), uma dupla de agentes que aceitam trabalhar para a misteriosa Companhia. A atividade envolve fingirem ser um casal enquanto desempenham as missões dadas por um contato misterioso que se comunica com eles via mensagens de computador. Aos poucos, a relação de conveniência vai se tornando um casamento de verdade, com um se apaixonando pelo outro, mas o cotidiano de perigo ameaça o relacionamento entre eles. 


A série faz um bom trabalho em mostrar o desenvolvimento da relação entre os dois protagonistas, que começam querendo manter distância, priorizando o trabalho, mas conforme passam a depender um do outro inclusive para sobreviver o perigo das missões, começam a se afeiçoar. Com o tempo essa afeição vai azedando e vemos como qualquer pequeno elemento é motivo para uma discussão e como esses dois parecem esquecer as razões de terem se apaixonado.

Além de usar o mundo da espionagem e o estresse desse trabalho de alto risco para mostrar como isso afeta um casamento, o serviço misterioso dos protagonistas acaba servindo também como metáfora para a precarização do trabalho, algo similar ao que David Fincher fez em O Assassino (2023) em sua exploração da chamada gig economy. Recebendo ordens de um aplicativo de mensagem, sem saber quem está mandando, com qual objetivo e a quem verdadeiramente servem, recebendo por cada serviço completado, o cotidiano de John e Jane não difere de um motorista ou entregador de aplicativo. 

Uma engrenagem cega e descartável de um mecanismo que não conhecem e que podem ser eliminados no instante em que fracassarem demais. A noção de que ambos aceitam o trabalho como um meio de juntar dinheiro até pensarem no que fazer de suas vidas apenas para ficarem presos a esse trabalho que não os leva a lugar nenhum é outro elemento similar a tantas pessoas que recorrem ao trabalho por apps como um meio de complementar as contas até serem completamente sugados por ele. 

A série acerta na mistura de romance, suspense e humor, como fica evidenciado no episódio em que eles precisam extrair informação de um magnata interpretado por John Turturro usando um soro da verdade. Toda infiltração em um leilão chique é permeada por momentos em que tudo pode dar errado, com a dupla principal precisando improvisar para alcançar seu objetivo. Uma vez começado o interrogatório, o magnata tem acessos de sinceridade que geram constrangimentos na festa. Isso também fica visível no episódio em que o casal precisa escoltar o empresário vivido por Ron Perlman, com a tensão constante da perseguição servindo para acirrar as tensões do casamento de John e Jane, além de gerar desdobramentos hilários e inesperados. O elenco coadjuvante é repleto de personagens marcantes como o outro casal de Smiths interpretado por Wagner Moura e Parker Posey, o vizinho misterioso vivido por Paul Dano (e a revelação de suas reais intenções é outro momento divertidíssimo) ou a terapeuta interpretada por Sarah Paulson.

O final, por outro lado, deixa a desejar pelo modo como constrói o conflito derradeiro entre John e Jane. Ao mostrar John como mais emotivo e mais preocupado com a família em oposição ao pragmatismo frio de Jane a série quase faz dela uma vilã que manipulou o marido o tempo todo. Claro, a performance de Maya Erskine, como o momento em que ela para de fugir ao ver que John foi atropelado, mostram que ela tem uma preocupação genuína com o marido a despeito de suas falas, mas ainda assim fica a impressão de que tudo é construído para que fiquemos do lado de John.

O desfecho também decepciona pelo encerramento excessivamente deixando muito para ser respondido em uma eventual segunda temporada. Tudo bem que séries sempre precisam deixar ganchos, mas aqui soa menos como uma indicação de próximas etapas depois de completar o arco da temporada e mais uma pausa abrupta na narrativa sem muito senso de conclusão. Inclusive penso que é o tipo de material que não se prestaria a muitas temporadas, podendo ficar muito bagunçada caso se alongue demais como foi o caso de Killing Eve.

Apesar desses problemas em seu trecho final, Sr. & Sra. Smith acerta na dupla de protagonistas e no desenvolvimento de sua relação, usando o universo da espionagem para refletir sobre a precarização do trabalho.

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