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Crítica – Monarch: Legado de Monstros

Não tive lá muito interesse quando soube deste Monarch: Legado de Monstros, série produzida pela AppleTV+ que se passa no mesmo universo dos filmes recentes de Godzilla e King Kong. A impressão é que poderia ser mais um caça-níqueis feito para “expandir o universo”, mas que seria insular às tramas dos filmes e não teria a presença de nada que vemos nos cinemas. Algo como a série dos Agentes da SHIELD, que apenas mencionava alguns eventos dos filmes (e depois de um tempo nem isso), mas tinha uma participação marginal nos acontecimentos do MCU e praticamente nenhuma participação de personagens dos filmes.

Monarch: Legado de Monstros, porém, mostrou que eu estava errado. Não só amplia de modo consistente a mitologia apresentada nos filmes, fazendo conexões entre todas as produções até agora, como também conta uma história mais interessante do que os filmes que fez do Godzilla. Parte disso é porque mantem a trama focada em um grupo restrito de personagens ao invés de se dividir em mais de uma dúzia de pessoas ao redor do globo.

A trama começa em 2015 depois dos eventos de Godzilla (2014). Cate Randa (Anna Sawai) está em busca do pai, Hiroshi (Takehiro Hira), que sumiu depois do ataque de Godzilla a São Francisco. Ela descobre que o pai tem um apartamento em Tóquio e vai até lá para tentar descobrir mais sobre ele. Chegando lá descobre que seu pai tinha outra esposa e outro filho, Kentaro (Ren Watanabe) e que eles também buscam notícias de Hiroshi. Juntos Cate e Kentaro descobrem que Hiroshi trabalhava para a Monarch, organização secreta que monitora Titãs como Godzilla. Assim, os dois embarcam em uma investigação para descobrir o que aconteceu com Hiroshi. Ao mesmo tempo, acompanhamos flashbacks que mostram a criação da Monarch nos anos de 1950 a partir das pesquisas de Bill Randa (Anders Holm), Keiko Miura (Mari Yamamoto) e o soldado Lee Shaw (Wyatt Russell/ Kurt Russell).

Além do excesso de personagens, os filmes do “monsterverse” sofrem por não ter muito a dizer sobre esse universo ou os personagens. Se o Godzilla foi inicialmente criado para falar do trauma japonês dos bombardeios nucleares, os filmes hollywoodianos recentes (entre as produções japonesas é outra história, vide Godzilla Minus One) não usam seus monstros como metáfora para nada. Aqui, no entanto, os Titãs servem para vários paralelos com o mundo real. No presente, no arco de Cate e seu irmão, o ataque de Godzilla no primeiro filme serve como uma metáfora para o terrorismo. Um ataque devastador que vem do nada e destrói todo o senso de segurança das pessoas, deixando-as em estado de paranoia e medo a respeito de um novo ataque e se permitindo qualquer excesso em nome de combater a ameaça.

No passado, a fundação da Monarch e seu desenvolvimento como agência secreta se conecta tanto com a paranoia anticomunista dos anos 50, com o exército estadunidense focado em impedir um inimigo que poderia estar debaixo de seu nariz e aparecer de qualquer lugar, quanto com o trauma nuclear japonês. Não é a toa que a japonesa Keiko se mostra tão horrorizada com a decisão dos militares em usarem os testes nucleares no Atol de Biquíni como cobertura para atacar Godzilla e fica paralisada em puro pavor quando a bomba explode em cima do Titã. O modo casual como os militares usam armas nucleares relembra Keiko de seus próprios traumas com a ameaça atômica e retoma a ideia de Godzilla ser uma corporificação desse trauma.

Mais que subtexto, a série constrói um drama familiar consistente conforme Cate e Kentaro se aproximam e se conectam pela ausência do pai e sentimento de que nunca o conheceram de verdade. O drama ainda é amplificado quando eles encontram Lee no presente e o veterano soldado os ajuda a entender o lugar da família Randa na Monarch e o legado que eles representam. Ao se manter focado nos traumas e anseios desses três personagens, a série consegue desenvolver um conflito humano mais consistente do que qualquer um dos filmes desse universo e nos mantem investidos na busca dos irmãos por Hiroshi. Claro, não tem nada de muito inovador ou diferente no conflito familiar aqui, mas ao menos é bem construído o bastante para funcionar.

Ao contrário do que eu imaginava, a série tem várias cenas de ação envolvendo ataques de monstros incluindo várias aparições do Godzilla. A série inclusive não se furta a mostrar suas criaturas, com muitas das aparições ocorrendo à luz do dia, ao contrário das tomadas na noite, chuva e fumaça que aconteciam nos filmes. A narrativa também faz conexões entre os vários filmes, com a subtrama envolvendo May (Kiersey Clemons) mostrando a origem da Apex, responsável pelo Mechagodzilla de Godzilla vs Kong (2021) e também explicando como a Monarch saiu de uma organização que opera nas sombras no primeiro Godzilla para a força de combate que vimos em Godzilla: Rei dos Monstros (2019). Sim, nada é exatamente indispensável para entender qualquer um dos filmes, no entanto, nos dá contexto o bastante para lançar uma nova luz a personagens que vimos antes. Ver o quanto Bill Randa foi menosprezado e maltratado pelo governo e pela própria organização que ajudou a fundar, por exemplo, ajuda a entender como ele se tornou o sujeito que conhecemos em Kong: Ilha da Caveira (2017).

Assim, Monarch: Legado de Monstros apresenta um drama familiar competente e boas cenas de ação envolvendo seus monstros, usando as criaturas como metáforas para conflitos humanos ao longo da história.

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