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Crítica – Sharper: Uma Vida de Trapaça

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Crítica – Sharper: Uma Vida de Trapaça

Filmes sobre golpes muitas vezes desmoronam sob a necessidade de sempre inserir uma reviravolta por cima da outra, um golpe mais surpreendente, ao ponto em que muitas vezes a trama vira uma grande bagunça. Sharper: Uma Vida de Trapaça, produção da AppleTV, consegue evitar isso e cria um elegante suspense que pende para o noir embora ao final suas constantes reviravoltas se tornem um pouco previsíveis.

A trama começa com Tom (Justice Smith), um jovem dono de livraria, se apaixonando pela misteriosa Sandra (Brianna Middleton). O casal vai aos poucos se aproximando e quando Sandra pede ajuda com uma grande quantia para salvar seu irmão, Tom não hesita em ajudar. O que Tom não imaginava é que Sandra fosse sumir logo depois, deixando evidente que tudo fora um golpe. A partir daí a narrativa vai e volta no tempo para mostrar as motivações de Sandra e outros envolvidos.

Como em um noir o crime aqui numa é um fato isolado, mas um longa e complicada teia de fios emaranhados de crimes se conectando a mais crimes criando o panorama de uma metrópole corrompida e hostil no qual todos só se preocupam em tirar vantagem. Dividido em capítulos que evidenciam cada um dos personagens, vamos descobrindo aos poucos que o golpe em Tom é apenas uma pequena peça em um esquema muito maior.


Sebastian Stan e Julianne Moore são ótimos em construir o carisma e a desfaçatez de seus golpistas, mostrando a facilidade que eles tem em habitar diferentes personas e de convencer as pessoas ao seu redor do que quer que seja. A composição dos atores torna crível que eles tenham conseguido navegar por ambientes como a alta sociedade nova-iorquina sem despertar desconfiança. Mesmo quando um deles aparentemente falha, como o momento em que Max (Sebastian Stan) parece ser desmascarado por Madeline (Julianne Moore) é tudo parte de um golpe maior.

Nesse sentido, como em outros filmes similares, a cada segmento temos uma nova revelação em que o golpe que pensávamos estar acompanhando sofre um contragolpe ou estava conectado a um outro esquema. São revelações bem construídas e coerentes com o universo apresentado, mas a narrativa acaba presa a esse padrão de sempre precisar trazer algo surpreendente a todo momento que quando chegamos ao clímax já estamos tão acostumados com essa estrutura que fica fácil prever toda a reviravolta final envolvendo Tom e Sandra, o que tira parte do impacto do desfecho. Assim, ao invés de sermos pegos desprevenidos pela esperteza dos personagens, o final vira um anticlímax xoxo e fácil de antever.

Apesar de tropeçar em uma conclusão previsível, Sharper: Uma Vida de Trapaça vale a experiência pela dubiedade de seus personagens e pela eficiente construção de um universo de pouca clareza moral onde todos estão tentando tirar vantagem.

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