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Crítica – Pelé

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Crítica – Pelé

De uma biografia esperamos não só uma narrativa sobre a vida de uma pessoa, mas o esforço para entender esse sujeito e, no caso de uma pessoa famosa, ir além do retrato midiático, mostrando o indivíduo que existe para além da imagem pública construída a seu respeito. O documentário Pelé até narra um recorte da vida do célebre jogador de futebol, mas faz pouco para ir além de um relato da imagem midiática já conhecida de Edson Arantes do Nascimento.

A narrativa do filme foca no início da carreira de Pelé e vai até o período de quatro Copas do Mundo, indo de 1958, quando o Brasil foi campeão pela primeira vez, ao tri campeonato na Copa de 1970. Tirando a parte da juventude do jogador, o documentário se detêm principalmente sobre a carreira profissional de Pelé.

É um documentário relativamente convencional em sua estrutura, recorrendo a entrevistas com conhecidos, jornalistas esportivos como Juca Kfouri e José Trajano e o próprio Pelé. Essas entrevistas são intercaladas por imagens de arquivo das partidas e eventos históricos narrados. Ocasionalmente temos imagens de bastidores de treinos, instantes pouco conhecidos de um Pelé em momentos mais íntimos, mas no geral essas imagens de arquivo são de eventos e ações públicas e já conhecidas a respeito do biografado.


Claro, Pelé é um ícone do futebol, um dos maiores, talvez o maior jogador de todos os tempos, no entanto, praticamente todo mundo que entra para assistir esse filme já sabe disso e já tem alguma ideia dos feitos dele. Sim, por um lado é um registro importante que ilustra para as novas gerações os momentos decisivos dele como jogador e o motivo dele ser tão celebrado. Por outro lado soa como uma oportunidade desperdiçada para aprofundar nosso entendimento sobre Pelé ou vermos ele de outro jeito que não seja essa figura mítica do rei do futebol.

As traições dele à primeira esposa e múltiplos filhos fora de casamento são citados brevemente, sem nunca se deter nas polêmicas judiciais de recusa a reconhecer paternidade por parte de Pelé. De maneira semelhante o filme menciona a polêmica quanto à subserviência de Pelé ao regime militar e a falta de posicionamento político dele, mas o tema é rapidamente relativizado tanto por alguns entrevistados como pelo próprio Pelé que apenas deflete as perguntas sobre o tópico. É como se o documentário receasse em colocar de maneira muito incisiva o dedo nessa ferida e temesse prejudicar o retrato laudatório que tenta construir sobre seu biografado.

É uma pena, já que esses elementos ajudariam a construir Pelé como uma figura mais complexa, mais humana. Um sujeito dotado de ambiguidades, cuja genialidade como atleta não o torna imune a erros de julgamento ou condutas condenáveis. Alguém que, como qualquer ser humano, contem em si coisas maravilhosas e coisas condenáveis. Que ajudou a dar visibilidade internacional ao Brasil e cuja fama foi importante para a visibilidade da população negra, mas, ao mesmo tempo, foi conivente com regimes autoritários e nunca se posicionou politicamente sobre muita coisa. A exploração dessas contradições, porém, não acontece aqui, já ele se limita mais a celebrar a imagem construída ao redor do jogador do que explorar muito além dela.

Em alguns momentos o filme consegue achar imagens que trabalham a humanidade do biografado, nos aproximando mais dele do que do mito. Um exemplo é a tomada inicial da entrevista com Pelé, que mostra o ex-jogador se locomovendo com a ajuda de um andador, se aproximando com dificuldade da cadeira da entrevista. É uma imagem que nos mostra o Pelé afetado pela idade, fisicamente fragilizado. O filme poderia tranquilamente não ter inserido essas imagens, não deixando que o víssemos assim para manter intacta a imagem mítica que temos do jogador, mas ao escolher nos mostrar isso, permite que vejamos o homem por trás da imagem pública cuidadosamente construída. É uma pena, portanto, que instantes como esse sejam raros ao longo do filme.

Assim, por mais que Pelé traga um registro da importância que o jogador teve para o esporte e cultura no Brasil e no mundo, o documentário se mostra muito convencional e faz pouco para ir além da imagem midiática já conhecida.

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