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Saúde

Fanatismo religioso pode estar associado a transtornos mentais, alerta psiquiatra

O episódio recente no qual manifestantes contra o aborto se reuniram em frente a um hospital para tentar impedir que uma criança de 10 anos realizasse esse procedimento, após engravidar ao ser estuprada, leva a questionamentos sobre a fé ou a convicção ideológica que faz com que pessoas considerem que devem interferir em um assunto particular e de tamanha delicadeza. Em alguns casos, o fanatismo religioso ou ideológico pode ter em sua base um transtorno mental.

O psiquiatra e diretor clínico da Holiste Psiquiatria, Luiz Fernando Pedroso, aponta que o fanatismo religioso geralmente está entre a convicção e o delírio, fazendo com que a pessoa perca a crítica da realidade, podendo até chegar a se ver como um deus.

“Os doentes mentais quando se apegam numa convicção são inflexíveis. A pessoa saudável normalmente é mais maleável, ela pondera, mas o doente mental cria uma ideia prevalente, muitas vezes somada a delírios. Ele demonstra uma tal convicção que arrebanha seguidores. É um comportamento que vemos muito em seitas”, explica o médico.

Na outra ponta, ficam os seguidores, que geralmente também carregam traços de personalidade que os fazem suscetíveis às ideias e até aos delírios de seus líderes.

“Líderes e seguidores são pessoas com personalidades muito diferentes e, ao mesmo tempo, complementares. Os seguidores recebem as convicções dos líderes porque eles precisam dessa figura, de alguém que tome as decisões por eles, que, de certa forma, os proteja”, analisa Luiz Fernando.

O psiquiatra completa que diferente do que se pode pensar a princípio, o delírio e a paranoia podem ser difíceis de serem identificados, pois, muitas vezes, eles se associam à realidade.

“Se um paciente falar que está sendo perseguido por alienígenas, você consegue saber que isso é um delírio, porque sai do real. Mas se for um usuário de drogas que afirma estar sendo perseguido por traficantes, isso pode ou não ser real”, afirma.

Ele avalia, porém, que, no contexto brasileiro atual, existe uma “cultura coletivista” que torna o ambiente propício para que questões individuais sejam vistas como algo que o coletivo pode interferir.

“A ideologia se sobrepõe à liberdade e ao livre-arbítrio. É dessa forma que algo que deveria ser uma escolha privada é visto como uma decisão que pode ser forçada pela coletividade”, observa. “Existe uma ‘falta de cerimônia’ em interferir e julgar a vida dos outros. Esse ambiente é propício para a propagação essa loucura coletiva que ultrapassa o religioso para se tornar social e política”, aponta.

Terrorismo e doença mental

O diretor clínico da Holiste acredita que, apesar de cada vez mais discutida, a doença mental ainda é muito subestimada. Isto porque ela muda de forma conforme a época, os costumes e o ambiente.

“Além disso, ela geralmente cria uma narrativa muito convincente para o olhar leigo. Porém, muitas vezes o que motiva uma ação política radical é um transtorno mental. Um franco atirador que mata crianças numa escola, independente da justificativa política dada, é geralmente um paranóico; um homem bomba, ainda que se diga representante de uma religião qualquer, é, antes de tudo um suicida. A doença mental não tratada pode ser perigosa”, alerta.

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