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Do Caos à Crônica

Piadista não-convencional

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Detetives particulares diriam que eu passo o dia inteiro rindo disfarçadamente das piadas que eu mesma me conto. Por uma falha genética, eu não nasci um tiozão do “é pavê ou pacumê?”. Assim, acabei me adaptando e hoje sou uma piadista não-convencional. Triste fim, viu? Porque nem todo mundo entende os meus gracejos. Já o tio do pavê é um privilegiado… Ele que tem sorte, afinal.

Esses dias me disseram: “Fernanda, eu nunca entendo as suas piadas…”. Nossa, fiquei arrasada! Mas contestei dizendo: “Meus amigos adoram e riem muito de tudo que eu digo…”. E, novamente, fui desacreditada: “Eles devem rir por educação, não?”. Achei isso um insulto ao meu senso de humor!

Mas, convenhamos, o tio do pavê que é verdadeiramente feliz… Ele ri tão alto da própria piada que não escuta o deboche de quem está em volta. E, no fim, todos acabam rindo da bobagem que foi dita. Então ele fica todo orgulhoso da piadinha…

Para cima de mim não, tiozão! O desprezo me domina de forma avassaladora quando conheço um desses sujeitos. Eles não me fazem rir de jeito algum. A inveja é terrível, meus amigos…

Vocês já viram um piadista não-convencional? Nós vivemos incompreendidos… Tipo adolescente em crise existencial. Estamos sempre contestando: “Como assim você não entendeu o que eu disse?”. E o pior é que a gente nem sabe explicar as piadas… E quando conseguimos, elas perdem a graça.

Para entender o gracejo de primeira, ou você entra na mesma frequência de ondas cerebrais e energéticas que a gente, estabelecendo uma simbiose cósmica, ou você não vai entender a piada nunca mais. É quase um fenômeno quântico! É tão raro que chega a ser emocionante! Portanto, sejam gentis conosco, e digam “NÃO” ao tiozão do pavê!

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5 Comentários

5 Comments

  1. ANA FERRER

    2 de dezembro de 2019 em 08:03

    Gostei do estilo leve e
    descontraído

  2. Fernanda Sá

    2 de dezembro de 2019 em 13:47

    Que bom, Ana! Obrigada!

  3. Almir sa

    3 de dezembro de 2019 em 10:29

    Gostei muito bem lembrado

  4. Vinícius

    3 de dezembro de 2019 em 18:42

    Excelente. Parabéns.

  5. Anair

    4 de dezembro de 2019 em 05:43

    Adorei o texto. Me remete a mim mesma. É comum que peça um desenho detalhado para entender uma piada. Livre, leve e solto! É a sua crônica. Adorei! Parabéns Nanda! 👏👏👏😘❤️😘

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Do Caos à Crônica

Chega de lembrar de você

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Seja pelo que for, o desejo é excruciante. Seja por felicidade, dinheiro, bebida, comida, farra, drogas, sexo e rock n’ roll… Ele te consome quimicamente. Mas parece que quando o desejo é por alguém, ele transcende a química e os pensamentos para despertar os mais intensos sentimentos. Ele inflama uma saudade pungente que não te deixa sorrir naturalmente.

Parece uma autotortura… Você se questiona “Porque estou pensando tanto nele? Preciso esquecê-lo!”. Você fica nessa angústia, sem saber quando e como essas memórias dissipar-se-ão. E é cruel, porque não há previsão alguma.

Então você percebe que só há um jeito a dar: seguir vivendo, caminhando. Já o caminho, sim: há diversos a optar. São tantos e tantos que não convém uma paralisia em função desses desejos agonizantes. Desta forma, podemos mergulhar rumo a novas aventuras e colher frescas memórias para renovarmos o nosso arsenal de pessoas desejáveis. Porque não tentar, afinal?

O tempo tem se mostrado tão ligeiro… Apressado demais para os meus desejos nostálgicos e desarranjados. Eu sinto… Sinto até o coração chamejar. E então grito “Chega!”. E dou um basta a essa melancolia. Aperto o meu passo, porque necessito saborear todo lampejo de vida com que fui presenteada.

E então chega de desejar quem não está mais aqui… Aquele alguém que faz a minha face se contorcer involuntariamente. Chega dessa dor! Então, assino a minha alforria. Lanço-me ao vasto horizonte de todas as memórias vindouras – misteriosamente diferentes. E disparo-me, empolgada, nesse mar de possibilidades que é o viver.

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Do Caos à Crônica

Pistola? Eu?

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O vocabulário baiano é sensacional, não? É um dialeto próprio, tão cheio de identidade, criatividade e sonoridade. Ônibus é buzú, calçada é passeio, pão francês é cacetinho… Temos um jeito nosso de dizer as coisas! E a nossa ironia deixa qualquer turista de cabelo em pé! Quando o baiano quer apressar alguém, ele diz “Vá logo não, fique aí…”, num tom tão debochado que os forasteiros ficam completamente confusos “Mas então, é pra ir, ou pra ficar?”.

O nosso baianês é vasto e se mantém em constante evolução. Até eu, nascida e criada em Salvador, sou surpreendida com expressões idiomáticas que desconheço. Complica mais ainda quando inventam de usar gírias de outros lugares.

Outro dia, por mensagem de texto, um rapaz me disse “você ficou pistola”. Eu cá pensei: “Diabeísso, homi? Pistola?”. Quase respondi: “Não uso… Sou contra a violência…”. Tive que fazer uma pesquisa sobre a expressão para entender o que ele estava querendo dizer.7

Não sei se é verdade, mas parece que essa gíria ficou famosa quando começou a ser usada por um apresentador de TV (está explicada a razão do meu desconhecimento). Algumas fontes dizem que a expressão provém de um filme, outras dizem que vem de um jogo… Enfim, o que importa é que ela existe e significa que a pessoa ficou brava!

Logo eu? Eu sou zen! Zen paciência! Aqui na minha terra, a gente diz que a pessoa ficou retada! E se pronuncia com aquele “e” bem aberto, bem nordestino, do jeito que eu gosto! Meu amigo, eu sou da paz, mas fale “pistola” mais uma vez para você ver se eu não encarno a Maria Bonita!

Pois bem… Essas gírias deveriam vir com um recurso de interpretação simultânea, não é? A tecnologia já tão avançada e ainda não pensaram nisso. Então eu fico aqui passando aperto por causa das expressões idiomáticas dos outros. “Ficou pistola…”. Depois não reclamem quando eu entrar pocando com o meu baianês!

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Do Caos à Crônica

Achei que fosse assalto!

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Isabela é uma profissional bem-sucedida, divorciada e dona de um corpo exuberante em plena idade da loba. Mas tem uma questão que a aflige: o seu coração se sente sozinho há alguns anos.

Muitas desilusões fizeram com que Bela parasse de acreditar nos homens. Ela gostaria de ter um parceiro ao seu lado, mas sempre que algum sujeito se aproxima, ela acha que é para tirar algum proveito e a machucar. Quando Bela está conhecendo um rapaz e ele a desagrada, ela não dá corda para papo furado e já manda o indivíduo passear. Acho que o balde de paciência de Bela já transbordou, sabe? A frase mais comum dela é: “Acho que eu nasci para ficar só mesmo…”.

Às vezes, Bela está tão desacreditada que reage de forma até cômica a certas situações… Outro dia, ela foi malhar e depois resolveu ir ao cinema, sozinha mesmo. Isabela estava na fila para comprar o ingresso quando um rapaz se aproximou dela, puxando conversa, dizendo que tinha a achado muito bonita… Era uma paquera despretensiosa, numa fila de cinema, e o que ela me disse? “Amiga, eu pensei que fosse assalto! Fiquei tão apavorada que não troquei uma palavra com o rapaz!”

Isabela, confundir paquera com assalto é o fim da picada e do picadeiro inteiro! Desse jeito, o seu coração não vai encontrar alguém tão cedo, minha amiga. Esse medo que você tem, todo mundo tem. E não é medo de assalto… Esse medo, Bela, é de confiar e amar novamente.

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