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Do Caos à Crônica

Feitiço Iceberg

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Primeiro encontro: a conversa está agradável, ele é gentil, cheiroso, bem-humorado, não tem mau hálito e não come de boca aberta. Vocês riem muito e descobrem vários gostos em comum. No final da noite aquele beijo, aquela química, aquela vibe. E você pensa instantaneamente: “opa, quando nos veremos de novo?” É muito bacana quando conhecemos alguém interessante assim, né?

Você tem certeza de que ele se sentiu da mesma forma que você. Mas nada do boy enviar uma mensagem no dia seguinte. Você espera, espera… E nada! Então você toma coragem e manda um sinal de vida. E o que ele faz? Ativa o modo Iceberg, responde da forma mais fria possível e se afasta.

Você fica confusa… Imagina que talvez aquela vibe tenha sido apenas fruto da sua imaginação e resolve não insistir. Afinal, há bilhões de pessoas nesse mundo, não é mesmo?

Então, meses depois, você vivendo a sua vida em paz – bela e debochada –, eis que o boy ressurge das cinzas, como uma poderosa Fênix, lançando chamas quentes para apagar o gigantesco Iceberg de outrora. E a primeira rajada flamejante vem quente com um potente: “Oi, sumida!”.

Você, que já nem se lembrava direito desse sujeito, foi arrebatada diante da imprevisibilidade do ataque da magnífica ave mitológica e, tomada por impulso, respondeu: “Oi, Coisinho…”.

Isso deu margem para que a Fênix lançasse freneticamente as suas chamas, cada vez mais ardentes. “Nossa… Gostei tanto de te conhecer, linda! Seu beijo é tão maravilhoso! Quando nos veremos de novo?”. O boy falava como se vocês tivessem se visto na noite anterior! Que tipo de resposta ele esperava?

“Oh, grandiosa Fênix, o seu ‘Feitiço Iceberg’ faz qualquer dama parar no tempo e aguardar pelas suas chamas do amor! Estive por meses paralisada naquele gelo, apenas esperando pelo seu retorno e me lembro como ontem dos seus beijos! Agora aguardo ansiosa para estar novamente em seus braços! Venha aquecer o meu coração!”

Francamente, camarada… Você acha mesmo que tem um freezer pessoal e que com papinho furado consegue retomar algo que desprezou tempos atrás? Quando dizemos que “a fila anda”, entenda o seguinte: a vida continua, fatos acontecem, outras pessoas surgem e os ausentes tornam-se irrelevantes – quando não são esquecidos.

Então, Poderosa Fênix, dá licença, que a moça tem uma valorosa vida para viver, e está sem tempo para feitiços, icebergs e chamas flamejantes. Beijos e não volte mais.

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9 Comentários

9 Comments

  1. Luís

    23 de setembro de 2019 em 08:06

    Se valorizar é tudo. Adorei a crônica dessa semana! Parabéns!

    • Fernanda Sá

      23 de setembro de 2019 em 18:08

      A gente tem que se valorizar sempre! Que bom que gostou! 🙂

  2. ANA FERRER

    23 de setembro de 2019 em 08:11

    Muito legal.Gostei

    • Fernanda Sá

      23 de setembro de 2019 em 18:09

      Obrigada, Ana! Grande beijo!

  3. Talita

    23 de setembro de 2019 em 09:33

    Kkkkkkkkkkkkkkk
    Acontece muito, miga!!!!

    • Fernanda Sá

      23 de setembro de 2019 em 18:10

      Né? E acontece com muita gente! Kkkkkk

  4. Maria das graças mentel sa

    24 de setembro de 2019 em 12:17

    Sensacional, sua crônica está clara e muito leve!
    Amei! Parabéns! 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

  5. Maria das Graças Pimentel Sá

    24 de setembro de 2019 em 12:29

    Sensacional sua crônica, leve e super interessante!
    Parabéns e muito sucesso! 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

    • Fernanda Sá

      24 de setembro de 2019 em 18:37

      Fico feliz que tenha gostado! Obrigada de coração! ❤️

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Do Caos à Crônica

Combustível Grátis

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Há pouco tempo aprendi a valorizar muito o medo, porque descobri o que fazer com ele. Mas não me refiro àquelas situações de risco em que precisamos decidir entre correr, lutar ou nos esconder. Não estou falando do medo primário que se manifesta nas situações de vida ou morte.

Estou falando do nosso cotidiano… que vai da hora que acordamos, até a hora em que nos deitamos. A cada instante, temos faíscas do medo mais sutil… medo, às vezes, de situações tão banais, mas que nos impedem de fazer muita coisa bacana na vida. Mas o interessante é que quando sabemos o que fazer com o medo, ficamos muito corajosos, porque quando ressignificado, esse medo vira combustível para a ação!

Sabe quando você começa a mexer no seu celular só para não olhar nos olhos das pessoas a sua volta? Isso ocorre quando você não sabe o que fazer com as faíscas desse medo sutil. E você nem se dá conta disso…

Sabe quando você está numa reunião do trabalho, tem algo muito importante para dizer, mas sente um frio na barriga e fica calado? Você não soube o que fazer com as suas faíscas!

Eu amo as minhas faíscas! Aprendi a gostar delas… Até porque, ou aprendemos a gostar do que temos de sobra, ou vivemos frustrados. Não é verdade?

Se você é uma fonte de medos e faíscas, saiba que isso pode ser um maravilhoso trampolim ou uma prisão torturante. Você vai ter que decidir se ficará acorrentado ou se dará seus pulos.

O segredo é sempre racionalizar e se perguntar “corro risco de morrer se eu fizer isso que me gera medo?”. De um modo geral, a resposta é não! Mas o seu corpo reage como se você estivesse no Titanic – afundando, é claro! Estou mentindo?

Muito provavelmente, você não vai morrer por chamar alguém pra sair, por opinar na reunião de departamento, por olhar nos olhos das pessoas, por falar em público… Mas eu espero que a sua rotina não envolva entrar em jaulas de tigres, porque aí eu já não me responsabilizo!

Então, quando a gente se questiona – de forma realista – sobre as piores hipóteses que nos provocam o medo numa situação específica, e nos imaginamos contornando cada uma dessas hipóteses, o medo se dissipa. Assim, você aproveita para usar as suas faíscas – a adrenalina – a seu favor!

Quando aprendemos a fazer isso, tomamos posse do famigerado medo e aproveitando da melhor forma essa energia extra que o nosso corpo produz para agirmos com todo vigor! Seu corpo produz esse combustível incrível e nem te cobra nada por isso! Não é maravilhoso? E do jeito que o combustível está caro, é bom você aproveitar enquanto esse é grátis, né, meu bem?

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Dance, Cláudia

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Era verão, e Cláudia aceitou o convite do tio para um passeio de lancha. O mar estava forte, mas ela estava se divertindo como nunca! Conversava com o pessoal, cantava, bebia, ria… O verão sempre foi a estação preferida de Claudinha. Ela sempre considerou o Sol como uma das suas maiores fontes de energia, além de ser fascinada pelo mar. A garota estava feliz da vida.

Pararam para almoçar num bar a beira-mar. Lá continuaram todos muito contentes e falantes, e depois voltaram andando pela praia, em direção à lancha. Nesse caminho, Cláudia começou a cantarolar a música que estava tocando no bar, e pôs-se a dançar. Não para se exibir. Não! Claudinha estava pura alegria e é assim que ela expressa a sua gratidão pela vida.

Uma vez li num livro a frase “nunca ande quando puder dançar”. A Claudinha era a expressão viva e pulsante dessa frase naquele momento. Como um pássaro a voar, a Claudinha dançou em vez de andar.

As vezes, me pergunto porque a alegria e a liberdade incomodam tanto Porque as nossas inseguranças nos impedem de deixar que os outros usufruam de momentos tão raros e mágicos. Pois foi o que aconteceu. O namorado de Cláudia não soube lidar com a alegria da moça, e disse: As pessoas lá do bar devem estar te olhando e dizendo ‘Olha lá, a gordinha arrochando!’.

Meus sentimentos por você ter recebido esse tipo de energia, interrompendo um momento tão especial, Cláudia! Uma memória de entusiamo pela vida lhe foi tolhida por um comentário maldoso. Sinto muito mesmo. Mas não deixe que isso lhe afaste do seu entusiasmo, que isso apague o seu brilho. Sei que você ficou triste e aborrecida, mas lembre-se da sua essência.

Você tem um brilho tão fantástico que… Presta atenção nisso, Cláudia: alguns vão te admirar, outros vão te invejar; mas não deixe que a inveja e nem a admiração te afetem, ou quem mudem quem você realmente é. Seja você, independentemente da aprovação do outro.

Dance pela areia… O Sol sente falta de abrasar a sua pele e de esquentar o seu coração… A brisa gostaria de alisar a sua face e de acariciar os seus cabelos… O mar deseja molhar os seus pés e lavar a sua alma! Então, dance, Cláudia… Apenas dance!

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Sorrir e fazer sorrir

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Já faz um tempo que comecei a observar um aluno lá da academia… Sr. Antônio, um mocinho de seus 80 anos ou mais.

Ele é super assíduo! Vocês precisam ver! Outro dia eu estava no elíptico e ele na esteira, fazendo a caminhadinha dele… Depois ele foi pedalar na bicicleta. Percebi que ele fez uns 30 minutos de aeróbico antes de começar a malhar.

Pensei cá com meus botões… “Reclamo todos os dias dos meus joelhos para evitar o exercício aeróbico… Quantas dores ele possivelmente sente e, ainda assim, persiste?”. Fico encantada com a dedicação dele.

Quando a Personal dele chega, eu fico o treino inteiro procurando os dois, olhando de longe. Porque ele tem o tempo dele, sabe? Mas ela tem toda a paciência do mundo e eu acho isso muito lindo. Pois a calma e a gentileza são qualidades que eu admiro demais, especialmente porque a nossa sociedade está a cada dia mais acelerada.

Reconheço que o exercício físico deve fazer um bem magnífico ao corpo dele. Deu pra notar que a mobilidade dele melhorou muito. Mas observo o jeito meigo, doce e educado com que ele é conduzido pela professora. Isso também deve fazer um bem imenso ao coração e à alma desse senhor… Porque carinho é bom demais, gente!

E ela? Ela deve sentir muita honra do próprio trabalho! Já imaginou que coisa linda você poder pagar suas contas por fazer uma diferença tão positiva na vida de uma pessoa? Por seu trabalho fazer alguém mais feliz e mais saudável? Ainda mais a uma pessoa idosa?

Se a lei exige a proteção integral ao idoso, essa profissional está no caminho certo! Sr. Antônio malha com uma expressão de alegria no rosto e eu fico maravilhada ao vê-lo!

Isso me faz pensar no quanto a vida passa rapidamente… Mas enquanto a gente ainda estiver por aqui, o importante mesmo é sorrir e fazer sorrir!

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