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Do Caos à Crônica

Fala-pluma e fala-flecha

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Já parou pra imaginar como seria a humanidade sem uma linguagem tão complexa e bem desenvolvida como a nossa? A gente nem pensa direito e pronto, já fala! É uma maravilha isso!

Seja lá o que você venha a sentir ou imaginar, pode encontrar palavras para – bem ou mal – se expressar! Mas embora a comunicação seja magnífica, às vezes, ela gera uma bela de uma confusão, né?

Sou uma grande fã da linguagem – mesmo ocasionalmente não fazendo bom uso dela. Afinal, eu também sou humana. Dominar a linguagem é como refinar qualquer outra habilidade. É preciso prática, estudo, vontade, disciplina… Ninguém nasce sabendo.

Nessa temática, sou como aquelas alunas que estudam em casa, chegam na escola sabendo o conteúdo, mas que vão parar na diretoria por pura rebeldia!

Apesar desses espasmos de insubordinação, eu continuo firme no afã de assimilar as preciosas lições acerca da comunicação interpessoal. Você provavelmente sabe que um remédio muito forte e poderoso, assim como pode curar, pode matar… Não sabe?

Pois a linguagem tem esse duplo poder… Na mesma proporção em que pode aproximar pessoas, abrir caminhos, acariciar egos e apaziguar relações; ela pode machucar pessoas, destruir uniões, falir empresas e iniciar guerras. Todo cuidado é pouco!

Durante muitos anos precisei me defender através dessa ferramenta… Usava o que eu chamo de “fala-flecha”. Recebia tantas flechadas que tornei-me uma exímia arqueira, pois flechava de volta com muita agilidade.

À medida que fui amadurecendo, decidi que eu queria mudar esse padrão de autodefesa e descobri algo que ajudou a acalmar a minha “arqueira interior”…

Passei a entender que por trás de cada fala-flecha há um sentimento não dito e, muitas vez, não compreendido por aquele que a atira… E, mais do que isso, há uma súplica para que o alvo – aquele que é flechado – compreenda o que não aprendemos a dizer de outra forma.

E foi nesse insight que tudo mudou… Percebi que cada fala-flecha é um enigma: o desafio é descobrir, por trás de palavras envenenadas e pontiagudas, o que a pessoa realmente está sentindo e precisando.

O que é necessário para quebrar o enigma? Muita calma, autocontrole e empatia. Quando esses elementos estão presentes, quebra-se o código, compreende-se a mensagem e surge, voilà, a “fala-pluma”!

O mais interessante da linguagem é que quem escolhe a moeda de troca somos nós. E não há taxa de câmbio! Olha só que vantagem nesse mundo moderno!

Isso significa que você pode receber uma mensagem em fala-flecha, pagar em fala- pluma, e vice-versa. Não é dinâmico isso? É uma maravilha!

Então, eu comecei a aderir mais à fala-pluma que é leve, clara e objetiva. Porque as flechas machucam as minhas mãos já tão calejadas e cheias de farpas, sabe?

Vou confessar… Por precaução, eu ainda ando com meu arco debaixo do braço e uma porção de flechas afiadas. E atenção: elas estão todas envenenadas!

Às vezes, a minha arqueira ainda atira umas flechas – é o instinto de defesa. Mas ela está aprendendo no tempo dela e está até se divertindo com as charadas perfurantes que recebe!

Agora ela anda com mais leveza… Está menos sisuda… Sobrancelhas ainda semicerradas, porém com olhos mais acolhedores do que antes e um leve sorriso no rosto. Abaixou um pouco a guarda e vive soprando falas-pluma atoa por aí…

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13 Comentários

13 Comments

  1. Silmária Brandão

    16 de setembro de 2019 em 08:47

    Também sou destrambelhada no uso das palavras. Me disseram que sofro de sincericídio. Rs

    • Fernanda Sá

      17 de setembro de 2019 em 08:47

      Sincericídio foi ótimo! Gostei dessa! Rs

  2. Ana Luci dês Graviers

    16 de setembro de 2019 em 09:01

    Muito bom!!! Ótimas observações a respeito da comunicação!!

    • Fernanda Sá

      17 de setembro de 2019 em 08:48

      Obrigada, Ana! Beijos

  3. Talita

    16 de setembro de 2019 em 18:26

    Show!!!!

    • Fernanda Sá

      17 de setembro de 2019 em 11:21

      Obrigada, Talita! 🙂

  4. Anair

    16 de setembro de 2019 em 19:21

    Adorei Nanda. As palavras têm poder. Uma frase uma vez dita, não tem mais como passar por não dita: Foi! E não tem como voltar. Portanto, se pudermos falar algo bonito, agradável que eleve a pessoa, ótimo! Se não puder usar a fala pluma, “abafa o caso” sem vítimas.Ótima crônica Nanda. Bjo

    • Fernanda Sá

      17 de setembro de 2019 em 11:24

      Isso mesmo, Anair! As vezes é bem complicado segurar as nossas flechas. A fala-pluma é mais precisa e causa menos danos. Falo mais sobre isso (não com esses termos “fala-pluma” e “fala-flecha” rs) na minha dissertação de mestrado.

  5. Maria das Graças Pimentel Sá

    16 de setembro de 2019 em 21:12

    Assim como você, também sou fã da linguagem para uma boa comunicação.
    Achei sua crônica excelente, parabéns e muito sucesso!

    • Fernanda Sá

      17 de setembro de 2019 em 11:25

      Sei bem disso! Você é craque em usar a fala-pluma! Só observo!

  6. Maria das Graças Pimentel Sá

    17 de setembro de 2019 em 10:06

    Sua crônica é muito envolvente, fala da linguagem de uma forma clara e apaixonante! Parabéns, sou sua fã!

    • Fernanda Sá

      17 de setembro de 2019 em 11:25

      Você é a minha maior fã, sei disso! <3

  7. Lorena

    24 de setembro de 2019 em 17:51

    Amei!!! Parabéns pela crônica! Muito boa!

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Do Caos à Crônica

Combustível Grátis

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Há pouco tempo aprendi a valorizar muito o medo, porque descobri o que fazer com ele. Mas não me refiro àquelas situações de risco em que precisamos decidir entre correr, lutar ou nos esconder. Não estou falando do medo primário que se manifesta nas situações de vida ou morte.

Estou falando do nosso cotidiano… que vai da hora que acordamos, até a hora em que nos deitamos. A cada instante, temos faíscas do medo mais sutil… medo, às vezes, de situações tão banais, mas que nos impedem de fazer muita coisa bacana na vida. Mas o interessante é que quando sabemos o que fazer com o medo, ficamos muito corajosos, porque quando ressignificado, esse medo vira combustível para a ação!

Sabe quando você começa a mexer no seu celular só para não olhar nos olhos das pessoas a sua volta? Isso ocorre quando você não sabe o que fazer com as faíscas desse medo sutil. E você nem se dá conta disso…

Sabe quando você está numa reunião do trabalho, tem algo muito importante para dizer, mas sente um frio na barriga e fica calado? Você não soube o que fazer com as suas faíscas!

Eu amo as minhas faíscas! Aprendi a gostar delas… Até porque, ou aprendemos a gostar do que temos de sobra, ou vivemos frustrados. Não é verdade?

Se você é uma fonte de medos e faíscas, saiba que isso pode ser um maravilhoso trampolim ou uma prisão torturante. Você vai ter que decidir se ficará acorrentado ou se dará seus pulos.

O segredo é sempre racionalizar e se perguntar “corro risco de morrer se eu fizer isso que me gera medo?”. De um modo geral, a resposta é não! Mas o seu corpo reage como se você estivesse no Titanic – afundando, é claro! Estou mentindo?

Muito provavelmente, você não vai morrer por chamar alguém pra sair, por opinar na reunião de departamento, por olhar nos olhos das pessoas, por falar em público… Mas eu espero que a sua rotina não envolva entrar em jaulas de tigres, porque aí eu já não me responsabilizo!

Então, quando a gente se questiona – de forma realista – sobre as piores hipóteses que nos provocam o medo numa situação específica, e nos imaginamos contornando cada uma dessas hipóteses, o medo se dissipa. Assim, você aproveita para usar as suas faíscas – a adrenalina – a seu favor!

Quando aprendemos a fazer isso, tomamos posse do famigerado medo e aproveitando da melhor forma essa energia extra que o nosso corpo produz para agirmos com todo vigor! Seu corpo produz esse combustível incrível e nem te cobra nada por isso! Não é maravilhoso? E do jeito que o combustível está caro, é bom você aproveitar enquanto esse é grátis, né, meu bem?

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Dance, Cláudia

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Era verão, e Cláudia aceitou o convite do tio para um passeio de lancha. O mar estava forte, mas ela estava se divertindo como nunca! Conversava com o pessoal, cantava, bebia, ria… O verão sempre foi a estação preferida de Claudinha. Ela sempre considerou o Sol como uma das suas maiores fontes de energia, além de ser fascinada pelo mar. A garota estava feliz da vida.

Pararam para almoçar num bar a beira-mar. Lá continuaram todos muito contentes e falantes, e depois voltaram andando pela praia, em direção à lancha. Nesse caminho, Cláudia começou a cantarolar a música que estava tocando no bar, e pôs-se a dançar. Não para se exibir. Não! Claudinha estava pura alegria e é assim que ela expressa a sua gratidão pela vida.

Uma vez li num livro a frase “nunca ande quando puder dançar”. A Claudinha era a expressão viva e pulsante dessa frase naquele momento. Como um pássaro a voar, a Claudinha dançou em vez de andar.

As vezes, me pergunto porque a alegria e a liberdade incomodam tanto Porque as nossas inseguranças nos impedem de deixar que os outros usufruam de momentos tão raros e mágicos. Pois foi o que aconteceu. O namorado de Cláudia não soube lidar com a alegria da moça, e disse: As pessoas lá do bar devem estar te olhando e dizendo ‘Olha lá, a gordinha arrochando!’.

Meus sentimentos por você ter recebido esse tipo de energia, interrompendo um momento tão especial, Cláudia! Uma memória de entusiamo pela vida lhe foi tolhida por um comentário maldoso. Sinto muito mesmo. Mas não deixe que isso lhe afaste do seu entusiasmo, que isso apague o seu brilho. Sei que você ficou triste e aborrecida, mas lembre-se da sua essência.

Você tem um brilho tão fantástico que… Presta atenção nisso, Cláudia: alguns vão te admirar, outros vão te invejar; mas não deixe que a inveja e nem a admiração te afetem, ou quem mudem quem você realmente é. Seja você, independentemente da aprovação do outro.

Dance pela areia… O Sol sente falta de abrasar a sua pele e de esquentar o seu coração… A brisa gostaria de alisar a sua face e de acariciar os seus cabelos… O mar deseja molhar os seus pés e lavar a sua alma! Então, dance, Cláudia… Apenas dance!

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Sorrir e fazer sorrir

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Já faz um tempo que comecei a observar um aluno lá da academia… Sr. Antônio, um mocinho de seus 80 anos ou mais.

Ele é super assíduo! Vocês precisam ver! Outro dia eu estava no elíptico e ele na esteira, fazendo a caminhadinha dele… Depois ele foi pedalar na bicicleta. Percebi que ele fez uns 30 minutos de aeróbico antes de começar a malhar.

Pensei cá com meus botões… “Reclamo todos os dias dos meus joelhos para evitar o exercício aeróbico… Quantas dores ele possivelmente sente e, ainda assim, persiste?”. Fico encantada com a dedicação dele.

Quando a Personal dele chega, eu fico o treino inteiro procurando os dois, olhando de longe. Porque ele tem o tempo dele, sabe? Mas ela tem toda a paciência do mundo e eu acho isso muito lindo. Pois a calma e a gentileza são qualidades que eu admiro demais, especialmente porque a nossa sociedade está a cada dia mais acelerada.

Reconheço que o exercício físico deve fazer um bem magnífico ao corpo dele. Deu pra notar que a mobilidade dele melhorou muito. Mas observo o jeito meigo, doce e educado com que ele é conduzido pela professora. Isso também deve fazer um bem imenso ao coração e à alma desse senhor… Porque carinho é bom demais, gente!

E ela? Ela deve sentir muita honra do próprio trabalho! Já imaginou que coisa linda você poder pagar suas contas por fazer uma diferença tão positiva na vida de uma pessoa? Por seu trabalho fazer alguém mais feliz e mais saudável? Ainda mais a uma pessoa idosa?

Se a lei exige a proteção integral ao idoso, essa profissional está no caminho certo! Sr. Antônio malha com uma expressão de alegria no rosto e eu fico maravilhada ao vê-lo!

Isso me faz pensar no quanto a vida passa rapidamente… Mas enquanto a gente ainda estiver por aqui, o importante mesmo é sorrir e fazer sorrir!

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