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Do Caos à Crônica

Plástico bolha

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Clarissa é daquelas garotas que amam com a alma, sabe como é? Não? Nem eu! Na verdade, toda vez é sempre igual: amando ou não, ela é uma namorada “de corpo e alma”. Dedicada, fiel, companheira, amiga, divertida, carinhosa… Nem sei se isso é amor mesmo, mas admiro.

O relacionamento pode nem estar tão bom, mas ela tenta melhorar – que nem a gente faz com a nossa roupa favorita quando começa a descosturar, sabe? Ela remenda de um lado, remenda do outro… Sempre buscando manter a relação.

Apenas quando esgotadas todas as possibilidades – quando o tecido esgaça por completo –, ela rompe de vez!

A Clarissa não ousa desistir tão fácil de alguém que lhe confiou o coração. Ela persiste, persiste… Até que esteja bem claro, para ambos, que já não dá mais. Ela sabe que o coração de alguém é como um cristal precioso e delicado. Clarissa nunca teve a coragem – ou seria a covardia? – de descartar, com pressa, algo tão valioso.

Mas estamos falando de Clarissa, certo? Ela é assim com as pessoas. Mas isso não significa que todo esse cuidado seja percebido, tampouco retribuído. A garota já teve o seu coração descartado algumas vezes.

Na última vez, o então namorado, de pouquíssimos meses de relacionamento, disse: “É que você é ciumenta, Clarissa…”. E fez uma cara de “sinto muito, mas não serve pra mim”.

Nessa noite, ela nem dormiu. Tomou dois comprimidos, mas não descansou. Ela chorou por 12 horas seguidas. Clarissa sentia que o seu coração estava se debatendo dentro do peito; e como isso doía!

Mas a vida é tão sublime, meus amigos! Vejam como são as coisas…

Parece que, dessa vez, o coração de Clarissa estava enrolado em plástico bolha. O malandro tacou o coração dela na lixeira, que lá quicou, rodopiou, bateu de um lado pro outro. Mas, ao passar daquela tempestade da madrugada, o coração dela estava intacto!

Sim, foi plástico bolha. Tenho certeza!

Após chorar a madrugada inteira, essa garota levantou da cama de manhã com a cara inchada, entrou no chuveiro e deixou que a água renovasse o embrulho que envolvia o seu coração. E disse: “Vou malhar”. Isso era um domingo.

Na academia, ao ver uma amiga, os olhos se enxeram d’água: Clarissa sabia que não estava só na vida. Depois de malhar, as duas foram passear no parque. Ela desabafou sobre o ocorrido, e conversaram por horas! As duas amigas até riram, e ela dormiu muito bem nesse dia.

Quando o sol nasceu na segunda-feira, Clarissa só tinha fé e gratidão naquele coração surrado. Sentia-se tão grata pelos amigos que a rodeavam e pela vida que tinha, que não havia sobrado muito espaço para as suas lamentações.

Ela foi malhar todos os dias naquela semana – e na semana seguinte também. Foi na terapia e marcou consulta com nutricionista. Foi assistir uma palestra e uma peça superanimada. Saiu para almoçar com uma amiga, foi visitar os sobrinhos, fazer as unhas e traçou novos planos para a carreira…

Assim, Clarissa foi preenchendo os seus dias com tanto zelo e auto-amor, até não sobrar mais espaço para a dor.

Contato: fpscronicas@gmail.com

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32 Comentários

32 Comments

  1. ANA FERRER

    19 de agosto de 2019 em 08:21

    Gostei . Leve,prende a atenção e
    uma leitura agradável.É o q estamos precisando nesse momento.Parabéns Fernanda Sá

    • Fernanda Sá

      20 de agosto de 2019 em 14:26

      Fico feliz que tenha gostado, Ana! Beijo grande

  2. Marcelo Borges

    19 de agosto de 2019 em 08:28

    Belo texto! Parabéns Nanda! Que venham mais e mais textos, inspirações e muito sucesso pra ti!

    • Fernanda Sá

      20 de agosto de 2019 em 14:27

      Muito grata, Marcelo! Assim seja! Beijão!

  3. Marcelo Borges

    19 de agosto de 2019 em 08:29

    Belo texto! Parabéns Nanda!

  4. Graça Sá

    19 de agosto de 2019 em 08:32

    Clarissa, como é uma garota inteligente e de uma excelente auto estima entendeu que não poderia se deixar abater por tão pouco e seguiu sua vida com o que ela mais preza que é o amor que ela tão bem sabe receber e doar. Muita admiração por este ser humano sensível, determinado e que sabe amar! ❤️

    • Fernanda Sá

      20 de agosto de 2019 em 14:28

      Boa interpretação! Feliz que tenha gostado! Beijos

  5. Luís Henrique

    19 de agosto de 2019 em 08:35

    Adorei, parabéns pelo texto, Fernanda! Incrível como a gente tem a capacidade de se regenerar e entender os nossos machucados, né?

    • Diego Santana

      19 de agosto de 2019 em 09:30

      Ótimo texto. O desfecho é uma lição pra vida: “preenchendo os seus dias com tanto zelo e auto-amor, até não sobrar mais espaço para a dor.” Parabéns!!

      • Fernanda Sá

        20 de agosto de 2019 em 14:32

        Verdade, Diego! Feliz que tenha gostado! Obrigada! Grande abraço!

    • Fernanda Sá

      20 de agosto de 2019 em 14:30

      Obrigada, Luis! Sempre conseguimos encontrar forças para enfrentar os desafios! Somos seres muito potentes! Grande abraço!

  6. Rosa Brandão

    19 de agosto de 2019 em 09:00

    Amei Nanda! Que seja exemplos para muitas Clarissas !

    • Fernanda Sá

      20 de agosto de 2019 em 14:33

      Que bom que gostou, Rosa! Continue acompanhando a Coluna para mais crônicas! Toda segunda-feira tem publicação aqui! Beijo grande

  7. Emilly

    19 de agosto de 2019 em 09:08

    Que leitura graciosa! Muito bom começar o dia assim! Parabéns Nanda e muito sucesso!

    • Leandro Villa

      19 de agosto de 2019 em 11:07

      Que maravilha! Um brinde ao auto-amor e um grande viva a Clarissa! 💓🌱🍃

      • Fernanda Sá

        20 de agosto de 2019 em 14:40

        Um brinde poderoso ao auto-amor! A esse amor que liberta, fortalece e ensina que só podemos dar o que temos (e a não aceitar menos do que merecemos). Fico feliz que você tenha gostado, Leandro! Volte sempre! Um grande VIVA às Clarissas do nosso Brasil! Beijão!

    • Fernanda Sá

      20 de agosto de 2019 em 14:36

      Fico feliz que você tenha gostado, Emilly! É bom começar o dia assim, né? Também adoro! Então, te convido para acompanhar a Coluna! Porque toda segunda de manhã tem crônica nova! Um beijão!

  8. Magali

    19 de agosto de 2019 em 10:36

    Que texto incrível! Parabéns Fernanda 👏

    • Fernanda Sá

      20 de agosto de 2019 em 14:41

      Muito obrigada, Magali! Volte sempre! Toda segunda-feira tem crônica nova! Beijos!

  9. Lúcia Conceição Patricio

    19 de agosto de 2019 em 12:41

    Adorei Nanda, claro, leve, cativante, delicado e agradavel.

    • Fernanda Sá

      20 de agosto de 2019 em 14:42

      Que bom que gostou, Lúcia! Muito obrigada! Volte sempre! Beijo grande!

  10. Hamora

    19 de agosto de 2019 em 12:41

    Amei!
    Quando nos empenhamos em cuidar de nós mesmas nenhuma dor consegue nos abalar profundamente, isso não é egoísmo, isso é amor próprio e NUNCA devemos abdicar disso!

    • Fernanda Sá

      20 de agosto de 2019 em 14:44

      Exatamente, Hamora! Que bom que você gostou! Volte sempre para conferir as próximas crônicas! Beijão!

  11. Ana Luci dês Graviers

    19 de agosto de 2019 em 21:27

    Uma delícia de leitura…ser mulher é lutar pelo respeito todos os dias e saber que nada melhor que cuidarmos na nossa paz e auto estima.

    • Fernanda Sá

      20 de agosto de 2019 em 14:45

      Isso mesmo, Ana! Autoestima é o ouro mais precioso! Volte sempre! Beijo grande!

  12. Camila

    20 de agosto de 2019 em 04:29

    Adorei o texto! De forma leve mostra algo forte, a busca e a importância pelo amor próprio! Me identifiquei com a Clarissa.

    • Fernanda Sá

      20 de agosto de 2019 em 14:48

      Que bom! É gratificante ver as leitoras se identificando com a personagem! O amor próprio é a fonte de tudo. Precisamos cuidar com carinho disso. Volte sempre, Camila. Beijos.

  13. Tatiana Furtado

    23 de agosto de 2019 em 20:06

    Um grande viva para Clarissa! 💗

    • Fernanda Sá

      26 de agosto de 2019 em 06:45

      Vivaaa! ❤️ Volte sempre, Tatiana! Beijos!

  14. Fernanda Sá

    26 de agosto de 2019 em 17:37

    #crônica #docaosàcrônica #plásticobolha

  15. Anair

    13 de setembro de 2019 em 06:07

    Amei a crônica. A personagem Clarissa é inspiradora. Mostra que podemos repaginar a nossa vida e como a auto estima pode nos mover. Leitura delíciosa. Parabéns Nanda! ❤

    • Fernanda Sá

      16 de setembro de 2019 em 09:10

      Fico feliz que tenha se deliciado com a leitura! Volte sempre, Anair! Beijos!

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Do Caos à Crônica

Retrospectiva

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Hoje escrevi os agradecimentos da minha Dissertação do Mestrado. Embora esse tópico fique bem no início do trabalho, foi o que eu redigi por último, faltando apenas um mês para agendar a defesa pública. E isso foi bom, porque ao escrever no final do curso, pude olhar para esses dois anos e observar quem realmente esteve ao meu lado em todos os momentos. Algumas pessoas que estavam no início, sumiram como pó. Outras apareceram no meio e evaporaram assim que as coisas complicaram. E, para a minha sorte, uns indivíduos, raçudos e extraordinários, se mantiveram firmes ao meu lado até o final.

Foram dois anos intensos, difíceis, e muito emocionantes. Teve muito choro – de alegria e de aflição também. Se teve angústia? Teve, sim, e como teve! Mas, no fim, tudo se resolveu… E essa pesquisa já está gerando belos frutos. Mas não vim falar da pesquisa, do Mestrado e nem desses frutos, mas sim de quando eu estava escrevendo o tal agradecimento.

Atualmente, o ato de “escrever” recebe a medalha de bronze na minha vida, perdendo apenas para o de “respirar” e o de “falar”. Ainda assim, esse agradecimento me tirou o chão… Foi uma verdadeira rasteira de capoeirista! Fiquei complemente emocionada! Foi lindo, indescritível! Chorei de emoção… Mas foi um choro bom e feliz. Já falei aqui que sou chorona? Pois é… Eu sou um bocadinho.

Lembrei-me dos momentos mais marcantes desses dois anos, das pessoas mais significativas, das experiências que mais me acrescentaram. Senti felicidade, amor e gratidão. E uma sensação de que “tudo vai dar certo” me preencheu instantaneamente.

Fui tomada por uma certeza: tudo muda o tempo todo. Um dia você sente que o mundo caiu e, no ano seguinte, ao lembrar da situação, você chega ri! Porque já passou! Tudo se resolveu. Pessoas vêm e vão, passamos por altos e baixos e, com o tempo, as coisas se ajustam.

Percebi outra coisa… Quem realmente lhe ama, estará ao seu lado. Por isso, sugiro ao leitor que faça esse exercício de retrospectiva e de agradecimento. “Ah, Fernanda, você quer que eu chore?”. É um choro bom, acredite! Há lágrimas que lavam a alma e renovam a nossa fé na vida.

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Do Caos à Crônica

O resto é só firula

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Ontem fui tomar um café numa dessas casas de chá e, como de costume quando estou só, fiquei observando as pessoas – esse é um dos meus passatempos favoritos. Intercalo os meus olhares curiosos com uma leitura, uma escrita, ou mexo no celular, até para que ninguém fique onstrangido.

Para o meu deleite, surgiu uma figura interessantíssima. Na verdade, em menor grau, era uma figura até comum. Explico-me, ela era uma mulher jovem, muito elegante, com unhas e cabelos impecáveis, roupa chique, toda maquiada. A primeira coisa que pensei ao vê-la foi: capa de revista!

Continuei a observá-la discretamente – eu estava quase uma investigadora da Interpol. Notei que ela aguardava por alguém, pois não conseguia desfrutar da própria companhia. Aos poucos, eu não conseguia mais enxergar deslumbre naquela moça. Ela era linda e estava tão arrumada, o que houve? A observei um pouco mais e entendi o motivo: ela não confiava nela mesma. Senti vontade de oferecer uma conversa das boas, daquelas que traz a pessoa para a realidade… Mas me lembrei eu estava bancando a agente secreta naquele momento.

Uma mulher segura não tem a ver com unhas de porcelana, maquiagem perfeita, cabelo modelado, corpo sarado, nem com roupas da estação. Tudo isso agrega valor, é claro. Quem não fica um espetáculo com esse somatório de atributos? Mas tudo isso é firula! Após o primeiro impacto, se não houver a autoconfiança, você percebe que algo está faltando.

Como qualquer pessoa, uma mulher segura tem insatisfações, vaidades e metas, mas isso não a impede de se amar, porque ela sabe do próprio valor. Ela sabe que é uma mulher incrível pelas atitudes que tem, pela forma com que se posiciona no mundo, e por tudo o que acredita.

Você percebe uma mulher segura pela forma com que ela anda, que ela fala, e que até se poupa de falar. Você a nota pelas escolhas… Pela sabedoria de cadasim e de cada não, porque ela tem uma combinação fascinante: inteligência emocional e amor-próprio.

Ela sabe – como dois mais dois são quatro – que um sorriso sincero, uma gargalhada contagiante, um olhar penetrante, uma conversa agradável valem muito mais do que qualquer maquiagem impecável. Ela sabe que o jeito dela é enebriante… E que o resto é só firula.

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Monstros e fadas

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Já notaram esse nosso hábito de julgar as pessoas em boas e más? É algo tão natural, tão automático, não é? E a gente erra toda vez. E isso é diferente de outras habilidades, porque quanto mais você pratica, mais você erra. Não adianta insistir. Porque, veja, ‘bom’ e ‘mau’, sempre será uma questão de perspectiva.

João é um empresário bem-sucedido, um patrão compreensivo, e é carinhoso com a namorada. No entanto, ele não registrou o próprio filho. A criança não tem contato com o pai e não recebe pensão. João é bom ou mau?

Ana Cláudia é uma mãe dedicada, uma filha zelosa com seus pais idosos, uma esposa fiel e amorosa. Mas Ana furta produtos de lojas. Ana Cláudia é boa ou má?

“Nossa, que monstro!”, quem nunca disse isso? Ou “Fulana é um anjo!”. Olha, sinto muito, mas anjos e demônios eu nunca vi! Fadas e monstros só vi nos meus sonhos e pesadelos mais criativos, elaborados pela liberdade da minha própria mente.

Nas minhas andanças prisionais, conheci muitas pessoas… As enxerguei sob as múltiplas perspectivas. Mas, inevitavelmente, todas que ali estão, foram julgadas como más pela justiça e como monstros pela sociedade.

O que eu posso lhe dizer? Estamos demonizando pessoas… Estamos desumanizando o outro e, assim, esquecendo a semelhança primordial e mais avassaladora entre você e eu: a nossa espécie. Não há monstros, nem anjos, nem fadas… Somos todos humanos.

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